No dia 17 de junho, duas garotas e um menino entraram em uma casa de chá no norte da Nigéria. Elas estavam vestindo coletes suicidas. Quando os coletes foram detonados, pelo menos 30 pessoas morreram na explosão. Mas por que três crianças fariam uma coisa tão horrível? Essas crianças foram sequestradas pelo Boko Haram e forçadas a se tornarem armas humanas da maneira mais maligna que se possa imaginar. É uma tática terrorista impensável e não é uma história rara.

A ONU declarou recentemente que, desde 2009, cerca de 8.000 crianças foram raptadas pelo Boko Haram. E de acordo com um relatório da UNICEF, pelo menos 117 dessas crianças foram usadas em ataques suicidas desde 2017 – e mais de 80% delas são meninas.

O colunista da Portas Abertas (EUA), Robert Kenna comentou a situação dessas crianças e confessou que como pai, sente seu coração apertado ao saber desses fatos.

“Eu mal posso permitir que minha mente imagine os momentos antes da explosão, quando os militantes do Boko Haram colocaram os coletes nessas crianças e as forçaram a entrar na casa de chá lotada, antes de apertarem o botão para acabar com suas próprias vidas – e a vida de tantas outras pessoas”, escreveu. “É tão desafiador pensar sobre essas coisas. Especialmente como pai. Mas é importante saber que isso está acontecendo”.

Robert contou que fez uma viagem recentemente à Nigéria e que teve a oportunidade de conhecer pessoas que vivem esse contexto de intolerância e perseguição, mas também de determinação e vontade de viver.

“Voltei recentemente de uma viagem ao norte da Nigéria, onde conheci muitas mulheres e crianças nigerianas. Crianças rindo, cozinhando, jogando futebol e garotas trançando o cabelo umas das outras; mulheres cuidando de suas terras, costurando vestidos, pegando água, muitas vezes com bebês em uma bolsa nas costas”, disse.

Ele fotografou crianças que foram sequestradas pelo Boko Haram e conseguiram se libertar, mas carregam consigo as marcas do cativeiro e da doutrinação do grupo terrorista.

“Todas as crianças [fotogradas] foram perseguidas por extremistas, principalmente do Boko Haram. Alguns tiveram suas aldeias atacadas. Outras tiveram suas casas destruídas, seu pais mortos, mães ou irmãos sequestrados, suas igrejas incendiadas. Suas vidas mudaram para sempre de uma forma ou de outra”, afirmou. “É um poderoso lembrete de que a batalha espiritual em que estamos é real. Tão real quanto os coletes suicidas que Boko Haram prepara e coloca sobre crianças inocentes”.

Robert explicou que no Norte da Nigéria, a ameaça de outro ataque ao Boko Haram “continua a pairar como a névoa nas montanhas que cercam suas aldeias”.

“Algumas das aldeias que visitamos foram atacadas até três vezes nos últimos anos”, contou. 

O impacto do Boko Haram

De acordo com o Global Conflict Tracker do Council on Foreign Relations, estima-se que 37.500 pessoas morreram como resultado da violência do Boko Haram e 2,4 milhões de pessoas foram deslocadas desde 2011. O nome real, Boko Haram, significa “educação ocidental é proibida”. O grupo extremista islâmico se levantou para combater a influência do Ocidente – o que inclui os ensinamentos do cristianismo.
 
Robert destacou que o contexto de violência e perseguição religiosa promovido por grupos terroristas como o Boko Haram só comprovam a batalha espiritual vivenciada pelos cristãos em todo o mundo.

“Está claro que temos um inimigo. Satanás é ativo neste mundo e ele trabalha através de sistemas, poderes e pessoas para roubar, matar e destruir. O Boko Haram é apenas uma de suas ferramentas na batalha para destruir a igreja”, destacou. “Mas como crentes, sabemos que não é aí onde a história termina”.

O outro lado da história

Robert reconheceu que quem vê as igrejas bombardeadas na Nigéria, “pode facilmente pensar as trevas estão ganhando”. Mas destacou que este cenário de destruição é uma parte do quadro como um todo.

“Quando você vê o que está acontecendo ao lado dos escombros, isso muda tudo”, lembrou. “As estatísticas obscuras sobre o Boko Haram contam um lado da história, mas há outro lado que está se movendo com força e beleza em meio ao sofrimento”.

“As famílias ainda estão seguindo a Jesus – em meio a ameaças e violência perigosas; pastores estão pastoreando seu povo em abrigos improvisados ​​perto de igrejas incendiadas e bombardeadas; famílias estão orando e aprendendo a ler suas Bíblias juntas; casas estão sendo reconstruídas; igrejas estão sendo levantadas de volta; inimigos estão sendo orados e o nome de Jesus está sendo levantado”, acrescentou.

Robert finalizou seu artigo, pedindo que os cristãos não deixem de orar pela Igreja perseguida.

“Então, por favor, não desvie o olhar quando vir ou ouvir sobre o terror e a perseguição que sua família cristã está passando em lugares como a Nigéria. Em vez disso, convido-os a entrar em suas histórias completamente – para orar, apoiar, defender e fazer parceria com eles para espalhar o Evangelho. Porque, como um crente, cuidar do perseguido já está no seu DNA”, destacou.

Fonte: Guia-me