Em uma tentativa de se aproximar dos evangélicos, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou na última quinta-feira (5) a criação da Universidade Teológica Evangélica da Venezuela e a criação do Dia Nacional do Pastor. 

Com a iniciativa, Maduro disse que o país irá abrir suas portas para “evangélicos de toda a América”, segundo a mídia local.

Segundo Maduro, a nova universidade, que será comandada pelo Ministério da Educação, será um “exemplo ao mundo”. Já o Dia Nacional do Pastor, instituído em 15 de janeiro, coincide com a data de nascimento do pastor americano Martin Luther King, um dos principais líderes do movimento dos direitos civis nos EUA.

O anúncio foi feito durante uma reunião com o Movimento Cristão Evangélico pela Venezuela, que não é reconhecido por pastores de denominações pentecostais e tradicionais do país.

No entanto, pastores venezuelanos disseram à Infobae que não reconhecem os líderes religiosos que fazem parte do Movimento Cristão Evangélico pela Venezuela. Um deles é o pastor Manuel Sangronis, diretor geral da Convenção Nacional Batista da Venezuela.

“Não pertencemos e nem estamos ligados a este movimento que esteve no ato com o presidente Nicolás Maduro. A denominação cristã batista não se responsabiliza pelo que eles fizeram e pelo que se comprometeram neste evento. Não nos sentimos parte deste grupo e nem nos identificamos com eles”, disse Sangronis.


O líder venezuelano Nicolás Maduro recebe oração em encontro para atrair apoio evangélico. (Foto: Nicolás Maduro/Instagram)

O pastor se classifica como “pró-educação”, mas tem uma visão cautelosa em relação ao ensino teológico promovido pelo governo venezuelano. “O problema não está no fato de ser uma instituição de ensino teológica e que seja feita uma universidade. O problema é saber se será independente e se não terá uma carga ideológica”, observa.

O pastor da primeira Igreja Batista de Barquisimeto, Juan Antonio Guédez Corti, também disse que não conhece os líderes cristãos que estiveram no ato. “Aqueles que acompanham Maduro [no evento] não são pessoas reconhecidas no mundo evangélico, não sabemos quem são e não representam nenhuma organização importante, em qualquer caso, agem por conta própria”.

Corti reconhece que, no início da chegada do chavismo ao poder, “muitos evangélicos apoiaram Hugo Chávez”, mas com o tempo houve um entendimento de que seus princípios são anticristãos. “O novo homem, para os cristãos, é a transformação espiritual, enquanto o novo homem, para o socialismo, é a transformação para uma sociedade moldada aos seus caprichos”.

Fonte: Guia-me